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Projetos em Parceria: Escola Margarida Maria Alves

A Escola Margarida Maria Alves é um projeto de alfabetização de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social. Os educandos são moradores de ocupações no centro da cidade de São Paulo, mais especificamente na região da Luz. A partir de hoje (16/08/2016) o projeto passa a fazer parte da agenda da Cia Pessoal do Faroeste!

“É melhor morrer na luta do que morrer de fome!”

 

Apresentação 

A Escola Margarida Maria Alves é um projeto de alfabetização de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social. Os educandos são moradores de ocupações no centro da cidade de São Paulo, mais especificamente na região da Luz. 

A Escola nasceu em 2013, vinculada ao Movimento de Moradia da Região Centro (MMRC) que, naquela época, atuava na Ocupação Margarida Maria Alves. A partir da necessidade e desejo dos moradores da ocupação e dos membros do MMRC, os encontros de alfabetização passaram a acontecer. Com a reintegração de posse do prédio, a escola foi desativada, mas o sonho permaneceu.

Em 2015, o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP), sediado à Vila dos Ingleses, próximo às ocupações onde moram os alunos e à estação da Luz, cede um de seus espaços para viabilizar a retomada desse projeto de alfabetização e educação popular. Nesse espaço, a Escola Margarida Maria Alves buscava se consolidar. Foram mais 4 meses de aula com cerca de 20 alunos estudando fonética, leitura, escrita, interpretação de texto, narrativas, geografia, história, urbanismo, direitos humanos, ciências sociais e políticas, e outras disciplinas de acordo com temas que partem dos alunos. 

O nome da escola é uma homenagem à paraibana Margarida Maria Alves, primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores rurais no estado. Nascida na cidade de Alagoa Grande dedicou-se à defesa dos direitos humanos, dos trabalhadores e das mulheres. Margarida enfrentou usineiros e latifundiários, e foi assassinada em 1983, na porta de entrada de sua casa. Seus assassinos seguem impunes até os dias de hoje. Seu lema é a inspiração da Escola: “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”.

Atualmente, a escola necessita de um espaço para atender 30 alunos das aulas de alfabetização, quatro vezes por semana (de segunda a quinta-feira) no período noturno. Além da área reservada para os educandos, o grupo também necessita de um espaço acolher seus filhos e netos. 

 

O Coletivo

A Escola Margarida Maria Alves pretende, a partir da prática pedagógica libertadora e livre, estimular a curiosidade e a autonomia dos educandos, reconhecendo-os como fazedores da própria história e como atores ativos no processo de alfabetização e construção do conhecimento. 

O papel do Coletivo é estimular uma construção horizontal voltada para a cooperação e troca no plano do conhecimento, superando a dicotomia “educador versus educando” e estabelecendo uma relação de igualdade e respeito no plano da relação humana. Acreditamos que a ação transformadora é possível dentro de um espaço onde se entende o outro como outro, e que respeita as diversas narrativas e culturalidades. Desejamos edificar um espaço onde cada um possa se construir em plena liberdade, em seu ritmo, e em função de suas próprias aspirações. 

Dentro do princípio de educação não coercitiva, estimulamos o processo de autoavaliação, um pensar de maneira autônoma sem competições, premiações, exames e punições. 

Entendemos que nosso trabalho vai além da sala de aula, e está intrinsicamente integrado ao movimento de emancipação, luta por moradia e contra o processo de gentrificação.

 

Educandos

O grupo de educandos da Escola Margarida Maria Alves é composto por adultos e jovens moradores de ocupações da região central que se encontram fora da escola, que não foram alfabetizados ou que foram alfabetizados, mas possuem dificuldades de leitura e escrita. 

Além das aulas, no decorrer das atividades de 2015, percebeu-se que muitos alunos se ausentavam por terem filhos, netos ou crianças pelas quais são responsáveis e não tinham com quem ficar se o adulto se ausentasse para ir à Escola. Pensando no pleno desenvolvimento dos educandos e em sua frequência contínua às aulas, a Escola optou por acolher também as crianças durante as atividades. Desse modo, além do trabalho junto aos jovens e adultos, o objetivo da Escola foi ampliado para desenvolver atividades de caráter lúdico e pedagógico com as crianças, estimulando a integração do grupo como um todo, bem como a autonomia e a participação das crianças.

 

Pedagogia ativa e cooperativa

Paulo Freire, em sua pedagogia formulada junto a movimentos sociais, percebia o adulto em processo de alfabetização como alguém possuidor de saberes e conhecimento. Os educadores compartilham desse entendimento e reconhecem os educandos como partes ativas do processo de construção de conhecimento e aprendizagem. Para tanto, os educadores conduzem as aulas partindo sempre de um grande tema (luta, trabalho, cidade), num espaço comum em que todos os educandos são estimulados a falar e a se colocar. Faz-se, também, nas aulas, o uso de recursos como vídeo, poemas, música, textos jornalísticos entre outros para estimular esse momento inicial de conversa.

Depois do primeiro momento comum, os educandos são divididos em dois grupos na sala de aula. O primeiro grupo é de alfabetização, com o qual se trabalha o reconhecimento inicial das letras do alfabeto, a composição da palavra e da escrita. Esse trabalho de alfabetização, inspirado na obra de Paulo Freire, é feito a partir de palavras geradoras, captadas nas falas dos alunos durante as aulas.

 

Educadores

O grupo de educadores da Escola Margarida Maria Alves conta com profissionais de diferentes áreas do conhecimento e com diferentes formações, entre elas história, sociologia, antropologia, audiovisual, letras, filosofia, jornalismo, serviço social e arquitetura, com ou sem experiência na área de educação popular.