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PELO MENOS UMA VEZ POR MÊS

A Cia realiza uma roda de samba todo primeiro domingo do mês em parceria com o grupo Pelo Menos Uma Vez Por Mês, sempre às 20 horas.

NAVALHA NA CARNE

Navalha na carne teve sua encenação ambientada no “Cine Pornô” onde uma prostituta do cinema se debruça aos desejos escabrosos de homens dilacerados pelo pecado. 
Classificação indicativa: 18 anos

Um texto olhar de Paulo Faria sobre o espetáculo está ocupando a rua do Triunfo.

Rua do Triunfo, sexta, dez de abril de 2015. No hotel Piratininga imagens de sexo explícito. A bicha pobre Veludo com uma camiseta com a bandeira do Brasil varre a rua, numa iamagem ao avesso da babilônia destruída que Mariana Lima fazia em um Apocalipse pra lá de vertiginoso. Na caixa de som é anunciado que naquela noite vai ter sexo explícito. A puta Neuza Suely começa na porta do Faroeste um Streep. O show com aquela que ainda é cabaço, entre pele caída e tinta barata nos olhos. Logo o corpo envergonhado diante do público, na rua. O sexo explícito. O carro de polícia para na esquina. As janelas do hotel são abertas em sobressalto entre paus e bucetas na tela do cinema. Palavrões discussões entre aqueles seres de um Plínio Marcos perdidos na Rua do triunfo.
O sotaque é cearense. A carne é dura. Salta na imaginação a Iracema de um Chico Buarque. “Iracema voou...”
Silêncio. A polícia vai embora. A música do show é estancada. A caixa dá curto circuito. Diante da mudez da nudez a puta sobe as escadas. Sem salto alto. O público acompanha Veludo.
Casa cheia.
No segundo piso, abaixo do último cenário de Gianni Ratto – uma estrutura de madeira, que compõem a as torres e varas da sala, está um cenário de um quarto futrico, fudido, tétrico. É o quarto de Neuza Suely que está com seu cafetão Vado. Uma navalha à flor da pele, Plínio de volta ao meretrício, a Boca do Lixo. Um veludo roto, humilhado. Um sanduíche de mortadela barato.
Corta.
No dia 29 de novembro de 1999, antes de ser o Pessoal do Faroeste, a trupe estava no Dragão do Mar apresentando “Um Certo Faroeste Caboclo” debaixo de uma lua cheia, quando antes de entrar em cena, no grito da roda, chega a informação que Plínio morrera.
Corta. 
Um mês antes eu estive com ele, gravando a sua última entrevista – ainda inédita. Fui levado pela atriz Sílvia Borges que dizia que tinha que conhecê-lo. Fomos. Um Plínio debilitado que na semana seguinte entraria em coma para nunca mais voltar.
Corta.
Dez anos antes, ou um pouco mais, começara um projeto com o Grupo Experiência para a escrita de A Mulher Macaco – do parque do Círio de Nazaré. Na equipe de dramaturgos estávamos eu, Kil Abreu e Beto Paiva. O projeto não saio, mas eu continuei o projeto em São Paulo. Tinha na personagem central uma grande inspiração na Neuza Suely. Durante os anos de 1990 e 1992 na capital Paulista, desenvolvi essa idéia numa oficina de dramaturgia do Luiz Alberto Abreu, que entre outros colegas da turma tinha o Tó Araújo que mais tarde viria a fazer com Abreu, O Livro de Jó, pelo Teatro da Vertigem.
Corta.
Em janeiro de 2000 ganhei o Premio Nacional de Dramaturgia Plínio Marcos de Dramaturgia que foi criado pela Secretaria do Estado de Cultura ( e arquivada pela mesma por essa gestão incoerente), logo no mês seguinte a morte do autor. Sílvia Borges quase me obrigou a inscrever A Mulher Macaco, pois tinha tudo a ver. Quando Vera Artaxo me entregou o prêmio, ela me disse que eu tinha comigo a última entrevista do Plínio, e que ela estava feliz em me entregar o Prêmio. Hoje A Mulher Macaco é um projeto de um longa ao lado do David Cardoso, Nicole Puzzi e Mel Lisboa.
A Mulher Macaco inaugurou o hoje Instituto Cultural Capobianco, numa parceria entre este autor, a Fernanda e o Júlio Capobianco. No Instituto tem uma tela do Júlio dedicada a Mulher Macaco.
Ontem ter assistido Navalha na Carne do Plínio, com um grupo do Ceará emocionado durante a encenação e entre lágrimas no agradecimento estava arrebatado por poder fazer a peça na cidade que Plínio adotou para ser sua, depois que deixou o circo em Santos. E hoje ele está na nossa rua do Triunfo por onde perambulou ouvindo putas, cafetões e bichas.
Vale a pena vir hoje, às 21h ver um jogo devasso, entre palavras e palavrões de um Plínio Marcos solto e vivo na Boca do Lixo.

AO DESPERTAR DE SONHOS INTRANQUILOS

Ao despertar de sonhos intranquilos, três jovens resolvem escrever uma carta aos seus pais. Suas cartas se misturam com relatos de outras pessoas, num poético, íntimo e contundente ato de vingança e esforço de reconciliação. 

MARIA, SOU EU

Maria, Sou  Eu, monólogo com a atriz paulista Alessandra San Martin, conta a história de uma mulher que tenta resgatar as suas lembranças do período da ditadura militar no Brasil.  A estreia da curta temporada foi aos sábados, às 22h00. A direção é de João Nalão. A peça ficou em cartaz até 27 de julho de 2014. Quem chegou uma hora antes do início da sessão  definiu quanto quis pagar depois assistir a peça, mas para quem preferiu reservar, ou comprou antecipadamente.

A montagem faz reflexões sobre os 50 anos da Ditadura Militar e o direito inalienável de esclarecimentos dos cidadãos em relação ao paradeiro das centenas de vítimas torturadas e assassinadas pelo aparelho repressor estatal-militar.

Num cenário repleto de arquivos de documentos que colocam em evidência os atos de violência cometidos durante a ditadura, Maria que lutou contra a opressão, relembra momentos importantes de sua vida.

Triunfo – Três espetáculos em cartaz

​      Junto com o espetáculo Cine Camaleão – A Boca do Lixo (3 indicações ao Prêmio Shell, 3 indicações ao Prêmio CPT e Governador do Estado, este último da Secretaria de Cultura/2011), também volta ao cartaz Meio Dia do Fim (Indicado ao Shell e CPT/2010) e Borboleta Azul, a mais recente montagem da Cia.
     As temporadas abrem o Projeto Boca Livre que ainda prevê ciclo de palestras e oficinas dentro da didática de montagem da nova pesquisa da Cia, com estreia prevista para maio de 2013, que tem como foco a Boca do Lixo na década de 1950 e a formação do quadrilátero do pecado.
     O projeto foi contemplado com o Edital de Fomento a Cidade de São Paulo, dando continuidade ao estudo desenvolvido pela Cia Pessoal do Faroeste sobre a Região da Luz em São Paulo. Este é o sexto edital que a Cia é contemplada ao longo dos 10 anos da Lei de Fomento.

Espetáculo “Borboleta azul”
Temporariamente Suspenso
Espetáculo “Meio Dia Do Fim”
Temporariamente Suspenso